Banner Principal

Alimento Espiritual: Artigos e Formação

:: Canais / Religiosos e Consagrados

094 ST – A vida consagrada e os conselhos evangélicos trinos !

- Imprimir artigo

A vida consagrada consiste nos votos evangélicos: pobreza, castidade e obediência.
Os leigos vêem os consagrados e sacerdotes oferecerem a Deus suas vidas para um amor indiviso, mas essa vocação aparentemente é uma grande oferta em um lindo cálice dourado!... Mas, será que Jesus tem recebido uma grande oferta do vinho da vida?
 
 
Jesus tem recebido um pingo de vinho, como um mendigo que recebe o resto de vida, porque Jesus Cristo vê de cima, vê por dentro das pessoas e muitas vezes os cálices da própria consagração estão furados. Hoje celebram-se muito mais os votos como um enfeite, um ritual de iniciação do que um testemunho de vida, um recorde de vivência apostólica.
O cálice da vivência dos consagrados está com buracos, furos e não retém a vida, o amor, a unção.
O voto de pobreza com o medo da inflação, o medo da carestia, o medo do futuro, a ausência da crença na Providencia, a influencia da mídia criando necessidade desnecessária, está corroído. O medo de passar fome, está comendo o voto de pobreza!
O voto de castidade está querendo cair de moda depois da inflação sexual do século XX... Prazer, gozo, virou necessidade biológica, fisiológica irrefutável!... O ser humano não tem dimensão noetica mais profunda para viver!
O voto de obediência está mudando de nome para diálogo consciente... Só se obedece ao que se quer obedecer, só ao que se entende, e só ao que se concorda ... então não é obediência! é obediência só a si mesma?...
Não veja um consagrado por fora. Veja o que ele transmite de dentro de seu testemunho. Mas o Senhor disse-lhe: “Não te deixes impressionar pelo seu belo aspecto, nem pela sua alta estatura, porque eu o rejeitei. O que o homem vê não é o que importa: o homem vê a face, mas o Senhor olha o coração”.(I Sam. 16, 7)
Eu descobri uma dimensão trina em cada conselho evangélico e busco vive-las para honrar a Santíssima Trindade e angariar uma plenitude de espiritualidade em cada voto.
A pobreza Trina é constituída em 3 dimensões:
  • Contentar-me com o necessário para mim, sem ter o supérfluo;
  • Repartir o que tenho com todas as pessoas que eu conviver;
  • Não cobiçar aquilo que os outros tem ou o que eles são.
“Assim pois, qualquer um de vós que não renuncia a tudo o que possui, não pode ser discípulo.” Lucas14,33. Precisamos nos consagrar a Jesus Cristo em nome da Igreja, promessa de pobreza Trina.
Quero fazer promessa de pobreza evangélica, isto é, ser humilde e me conter com o mínimo necessário para viver no que diz respeito a minha pessoa. Esta simplicidade que eu já tenho vivido em toda a minha vida. Fui sempre considerada rica, sem usufruir tanto desta riqueza e que até impede as pessoas de me ajudarem melhor.
Santa Teresa diz que as religiosas nem precisam se preocupar com a pobreza: "Quando um empregado está a serviço de alguém, empenha-se em contentar em tudo a seu patrão. Este por sua vez está obrigado a dar de comer ao servo enquanto está em sua casa, a seu serviço...E o Senhor é, e será sempre rico e poderoso...Não suceda distrair-se com estes cuidados e não Lhe vence servir bem”.(C.P. 34,5). "Tudo é possuído em comum,... é em conjunto que o Senhor as provê" (Caminho de Perfeição 9,1). O possuir tudo em comum leva conseqüentemente a desenvolver uma fraternidade, que supre todas as necessidades afetivas, promove a justiça, dá força de esperar em Deus. "O necessário para viver não falta para quem O serve".(V.35,6).
A castidade deve ser Trina:
  • não ter sexo com sexo oposto, heterossexual. Tob.6,16-17.
  • não ter sexo com mesmo sexo, homossexual. Rom 1, 25-27.
  • nem ter sexo comigo mesma na masturbação. Rom.6,12-13.
Precisamos nos consagrar a Jesus Cristo em nome da Igreja, com promessa de castidade Trina, pois "O desapego não consiste em fugir com o corpo, mas em abrasar-se a alma resolutamente com o Bom Jesus, Senhor nosso. Nele a alma tudo acha, tudo esquece”. (C.P. 9,5)".
O desapego começa com os parentes, os amigos, e o mais duro é separarmo-nos de nós mesmas, sermos contra nós mesmas”. (C.P.10,2). A quem tem isto, então nasce o zelo ou o temor do Senhor de : “só teme descontentar a Deus” (C. P. 10,3). A pobreza, o aprender viver destituído de posse, de coisas e de pessoas ajuda a castidade porque sentindo-se muito pequeno, pouco e pobre em espírito não floresce o vínculo afetivo horizontal natural, próprio do amor conjugal. “Guardai as palavras de carinho para o esposo, pois Sua Majestade se digna aceitá-las, e estando tanto tempo em Sua companhia, tão a sós, de tudo haveis de vos valer" (Caminho de Perfeição 7,8).
E quanto mais apaixonadamente vivenciar sua missão existencial ou sua vocação, mais livre fica de suas necessidades sexuais, ajudado pela graça de Deus. Ou será que não vale nada a sociedade de um homem com seu Deus? Será que Jesus Cristo não foi homem? Não passou por estes problemas sexuais? Será que Deus criaria uma vocação ou um chamado em que o homem não daria conta de seguir?
Os que são chamados a uma vocação ou missão existencial mais forte na Igreja, o celibato em nome de Deus, necessitam desenvolver o amor espiritual pela causa de Cristo, após este amadurecimento psíquico afetivo sexual. Jesus fala sobre o celibato: “Porque há eunucos que os são desde o ventre de suas mães; e há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens, e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda” (Mateus 19, 12).
A obediência é fundamental na vida religiosa. Precisamos nos consagrar a Jesus Cristo em nome da Igreja, promessa de obediência Trina:
  • Obedecer aos mandamentos de Deus como diz em João 14, 21 e João 14, 23;
  • Obedecer às moções do Espírito Santo1Cor12,1 e 1Cor.14,1 e testemunhar Deus;
  • Obedecer às autoridades legitimamente constituídas, principalmente as eclesiásticas. Rom 13, 1.
A nossa verdadeira riqueza consiste numa sólida virtude de humildade e uma grande obediência que não se aparta um só ponto da vontade da congregação. Não ser obediente é não ser religiosa!... Perde o sentido a vida religiosa contemplativa ou ativa”.(Caminho de Perfeição 18,7-8). “Comprometer-se a renunciar à própria vontade e fazer a de outrem, parece muito fácil. Vindo a realidade, é o exercício mais árduo que existe”.(C.P. 32,5). “O mais seguro é o que faço: não deixo de abrir toda a minha alma e comunicar as graças que o Senhor me faz e obedeço. Disse-me o Senhor numa ocasião: ‘Não é obediente quem não está disposto a padecer’”. (C.P. 26,3).
A obediência e o exercício da autoridade amorosa maternal ou paternal estabelecem o vínculo afetivo hierárquico, vertical que é incompatível com o desenvolvimento da sexualidade e ajudam o exercício da castidade. A pobreza interior, o despojamento de si, ajuda a ser casta e a obediente. A castidade de coração, com o desejo de ser só para Deus, até na pureza das intenções do coração, ajudam ter um coração pobre e obediente. Como se vê, a vivencia de um voto sempre ajuda os outros.

Juracy Villares

Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!”

Copright 2002 - 2006. Comunidade Missionária Santíssima Trindade - Todos os direitos reservados