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Alimento Espiritual: Artigos e Formação

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Pentecostes

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Do livro: “Vocação: uma vida encantada com Deus!” de Juracy Villares.
Deus Pai é rico e quer nos dar Ele mesmo, sob a forma de Espírito como lembrança da Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e nós viremos a ele, e nele faremos nossa morada” (João 14, 23).
Esta experiência de presença de Deus é Pentecostes em nossa vida. É o encontro com Deus em espírito e verdade, quando nós falamos para Ele toda a verdade de nossa vida, naquele momento, com toda a sinceridade. Pentecostes é festa da colheita, festa telescópica no céu e na terra. É também uma festa macroscópica realizada fora de nós, na Igreja, no meio dos irmãos; e é festa microscópica que deve acontecer na intimidade, no interior do nosso coração. Quando participamos de uma festa assim, ficamos fascinados para ser de Deus.
Vejamos a situação psicológica em que se encontravam os apóstolos quando o Espírito Santo veio em Pentecostes.
Nos últimos dias antes de sua Paixão, Jesus se despedia de seus apóstolos com uma palavra de identidade entre Ele e os discípulos: “Se o mundo vos odeia, sabei que Me odiou a Mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: O servo não é maior que o Senhor. Se me perseguiram, também vos hão de perseguir. Se guardaram a minha palavra, hão de guardar também a vossa” (João 15,18-20).
Jesus Ressuscitou e apareceu para os seus apóstolos durante quarenta dias, dando provas de que estava vivo, instruindo e falando sobre o reino dos céus (Atos dos Apóstolos 1, 3). Mas, aos olhos do mundo, Jesus sumiu, fracassado, no dia de sua morte e seus discípulos estavam passando por bobos, procurados, trancados no cenáculo, com medo. Nesse estado de ânimo, passados os quarenta dias, Jesus ressuscitado também se elevou aos céus, ordenando-lhes que ficassem em Jerusalém, esperando o cumprimento da promessa. Os discípulos ficaram ainda mais sozinhos e desanimados, reunidos no mesmo lugar, rezando, sem saber até quando iriam ficar lá, esperando a promessa do Pai.
Nossa Senhora havia perdido seu Filho há pouco mais de um mês. Esses mesmos discípulos haviam abandonado seu filho na hora em que mais precisava de apoio. Judas traiu. Pedro renegou. E ainda assim essa mulher ficou com esses apóstolos no cenáculo, dando-nos exemplo de serva de Deus, de perdão. “Todos eles perseveraram unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas, Maria, mãe de Jesus e os irmãos dele” (Atos dos Apóstolos 1,14).
E foram rezando, louvando, meditando em tudo o que Jesus falou, perdoando, perdoando, até se tornarem um só coração. Ninguém tinha outro compromisso mais importante do que fazer comunidade, do que obedecer ao Senhor Jesus. Ficaram durante dez dias no mais completo abandono, mas perseverantes. Realizou-se o grande fenômeno da unidade (a matemática maluca de Deus, onde 3 = 1): três pessoas na Santíssima Trindade são um só Deus. Isso aconteceu também no cenáculo: 12 apóstolos = 1 só coração. Então, o Espírito Santo veio como um sinal de comunhão vindo do céu. Quando entramos em comunhão com os irmãos e nos tornamos um só coração e uma só alma, o Espírito Santo vem até nós, sempre.
Ter uma mentalidade comunitária é ser o fruto maduro para o Pentecostes verdadeiro. É necessário que tenhamos seriedade em ter este espírito comunitário, para não acontecer que estejamos na Igreja como galho seco enroscado na copa da árvore. (está lá, mas não faz parte da árvore).
A narrativa de Pentecostes, descrita em Atos dos Apóstolos, cap. 2, mostra quatro momentos distintos:
O primeiro apresenta o Pentecostes do cenáculo, a Efusão do Espírito Santo, o grupo dos apóstolos e a crítica do mundo. Momento Pentecostal (Atos 2,1-13).
O segundo momento foi a pregação ungida de Pedro exaltando Jesus Cristo, o testemunho e o anuncio da Boa Nova. Momento de Testemunho (Atos 2, 14-36).
O terceiro momento foi o batismo no Espírito Santo dos três mil adeptos que ouviram Pedro. Momento Missionário (Atos 2,37-41).
O quarto momento foi quando a multidão se torna uma comunidade perseverante, única e eclesial. Momento Comunitário (Atos 2, 42-47).
Vemos que a ordem é: Pentecostes, Testemunho, Missão ou Evangelização com Pentecostes e Comunidade.
“Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente veio do céu um ruído como se soprasse um vento impetuoso e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiam e repousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo, e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” (Atos 2,1-4).
Línguas de fogo na cabeça... será que Deus se enganou? Línguas não são na boca? Por que língua na cabeça?... De quem seriam essas línguas?... Por certo não eram dos apóstolos, senão Deus teria posto dentro da boca de cada um deles. As línguas de fogo são a linguagem do Espírito Santo na cabeça dos Apóstolos. As línguas na cabeça estariam substituindo o cérebro humano. Deus fez uma imagem, arrumou um modo de nós compreendermos o que acontece na oração em línguas. O próprio Espírito Santo fala em nossa boca com gemidos inexplicáveis, substituindo o raciocínio humano (ver versículo 4). É uma linguagem construída não no cérebro humano, mas no coração inflamado pelo amor, a ponto de os apóstolos parecerem embriagados de vinho doce. O Pe. Antônio Vieira, no séc. XV, também fez essa reflexão conforme lemos no Sermão da Sexagésima.
Só na força do Espírito Santo de Deus se é capaz de falar em nome de Jesus e em nome da Igreja. O cérebro humano é muito pouco para falar em nome de Jesus. Inflamado pelo Espírito Santo, Pedro falou, pondo-se de pé em nome de todos: “Acontecerá nos últimos dias, é Deus quem fala, derramarei do meu Espírito sobre todo o ser vivo” (Atos 2, 17).
A fase dos “últimos dias” iniciou-se há 20 séculos, aos olhos de Deus. Erroneamente, muitas vezes nós olhamos com vistas curtas, humanas, o tempo de Deus e pensamos que os últimos dias, onde o Espírito Santo está sendo derramado é só agora no século 20. “Mas há uma coisa, caríssimos, de que não vos deveis esquecer: um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos, como um dia” (II Pedro 3, 8). Os dois mil anos em que existe a Igreja após o Cristo, é o tempo de Kairós, tempo da Graça, anunciado por Pedro, como os últimos dias.
Ainda hoje é o ultimo dia, quem sabe de sua vida? Já que estamos nos prazos dos últimos dias, hoje é o dia que você pode se encher de Espírito Santo! Aproveita!

Juracy Villares

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